Active Directory, LDAP, virtualização e containers
Do zero
Num órgão com mil pessoas e duzentos computadores, alguém precisa saber quem é quem, quem pode entrar onde e quais regras valem em cada máquina. Esse “alguém” é o serviço de diretório: uma grande lista telefônica organizada como um organograma, com pessoas, computadores, impressoras e grupos.
- O Active Directory (AD) é o serviço de diretório da Microsoft. Os servidores que guardam a lista e conferem as senhas são os controladores de domínio. Quando você entra no computador do trabalho com o seu usuário de rede, é o AD que confere quem você é.
- O LDAP é a língua usada para consultar e alterar a lista. O AD fala LDAP, e outros diretórios também (como o OpenLDAP, no Linux). Um sistema pode perguntar ao diretório, via LDAP: “a senha da Ana confere? de quais grupos ela faz parte?”.
A virtualização é dividir um computador grande em vários computadores de mentira, as máquinas virtuais (VMs), cada uma com o próprio sistema operacional. Quem faz a divisão é o hipervisor, como um síndico que divide um prédio em apartamentos independentes. Os containers são mais leves: dividem só o espaço dos aplicativos e compartilham o mesmo sistema operacional, como quartos de uma mesma casa.
Frase para guardar: o AD é o diretório, o LDAP é a língua para consultá-lo; o hipervisor divide a máquina em VMs completas, o container divide só o espaço da aplicação.
Em 1 minuto
- Estrutura do AD: domínio (unidade de administração e de segurança, com nome DNS, como
tribunal.local), árvore (domínios com o mesmo espaço de nomes), floresta (conjunto de árvores, a fronteira de segurança maior). Dentro do domínio, as unidades organizacionais (OUs) organizam os objetos e recebem políticas. - GPO (política de grupo): conjunto de regras aplicado a usuários e computadores, na ordem local, site, domínio e OU (LSDOU); a última aplicada prevalece num conflito.
- Autenticação no AD: Kerberos por padrão (com tíquetes), NTLM só por compatibilidade. O AD depende do DNS para que as máquinas encontrem os controladores de domínio.
- Replicação: os controladores de domínio são multimestre (todos aceitam alterações e replicam entre si), mas cinco funções especiais, as FSMO, ficam com um só servidor de cada vez.
- LDAP: protocolo de acesso a diretórios; porta 389 (LDAP) e 636 (LDAPS, com TLS); o catálogo global do AD usa 3268 e 3269. Cada objeto tem um DN (nome distinto), como
CN=Ana Souza,OU=TI,DC=tribunal,DC=local. - Hipervisor tipo 1 (bare metal) roda direto no hardware: VMware ESXi, Microsoft Hyper-V, KVM, Xen. Tipo 2 (hospedado) roda sobre um sistema operacional: VirtualBox, VMware Workstation.
- Recursos da virtualização: snapshot (ponto de retorno da VM), migração ao vivo (mover uma VM ligada de um host para outro), alta disponibilidade (religar as VMs de um host que caiu em outro) e modelos (templates) para criar VMs iguais.
Exemplo concreto: o servidor novo da TI
A Ana entra para a equipe de TI. O que acontece no diretório:
- A conta dela é criada na OU TI:
CN=Ana Souza,OU=TI,DC=tribunal,DC=local. - Ela é posta no grupo TI-Suporte, que tem permissão nas pastas da equipe. As permissões vão para o grupo, não para a pessoa: quando ela mudar de setor, basta trocá-la de grupo.
- A GPO ligada à OU TI exige bloqueio de tela em 10 minutos e instala as ferramentas de suporte.
- Ao ligar o notebook, ela digita a senha; o controlador de domínio a autentica com Kerberos e entrega um tíquete, que dá acesso aos serviços da rede sem pedir a senha de novo.
Um sistema interno, rodando no Linux, confere o login da Ana no mesmo diretório, via LDAP:
Conectar a ldaps://dc01.tribunal.local:636
Bind com a conta de serviço do sistema (CN=svc-protocolo,OU=Servicos,DC=tribunal,DC=local)
Buscar em DC=tribunal,DC=local o filtro (&(objectClass=user)(sAMAccountName=ana.souza)) → acha o DN da Ana
Novo bind com CN=Ana Souza,OU=TI,DC=tribunal,DC=local e a senha digitada → se der certo, a senha confere
Ler o atributo memberOf → CN=TI-Suporte,OU=Grupos,DC=tribunal,DC=local
Os servidores desse sistema são máquinas virtuais num cluster de hipervisores tipo 1. Antes de atualizar o sistema, a equipe tira um snapshot de cada VM: se a atualização der errado, volta em minutos. Para fazer manutenção num host físico, as VMs passam para outro host com migração ao vivo, sem derrubar o sistema.
Comparação: AD, LDAP e virtualização
| Conceito do AD | O que é | Exemplo |
|---|---|---|
| Floresta | Conjunto de domínios que confiam entre si; limite de segurança | Toda a estrutura do órgão |
| Domínio | Unidade de administração, com controladores próprios | tribunal.local |
| Unidade organizacional (OU) | Pasta para organizar objetos, delegar administração e aplicar GPO | OU TI, OU Gabinetes |
| Grupo | Conjunto de contas para dar permissões ou enviar e-mails | TI-Suporte |
| GPO | Pacote de regras aplicado a usuários e computadores | Bloqueio de tela, mapeamento de unidades |
| Catálogo global | Cópia parcial de todos os objetos da floresta, para buscas rápidas | Achar um usuário de outro domínio |
| Funções FSMO | Quantas | Para quê |
|---|---|---|
| Mestre de esquema | Uma por floresta | Alterar o esquema (os tipos de objeto e atributos) |
| Mestre de nomeação de domínio | Uma por floresta | Criar e remover domínios |
| Mestre RID | Uma por domínio | Distribuir faixas de identificadores para novos objetos |
| Emulador de PDC | Uma por domínio | Horário de referência, trocas de senha e bloqueio de contas |
| Mestre de infraestrutura | Uma por domínio | Manter referências a objetos de outros domínios |
| Hipervisor tipo 1 | Hipervisor tipo 2 | |
|---|---|---|
| Onde roda | Direto no hardware | Sobre um sistema operacional |
| Exemplos | VMware ESXi, Hyper-V, KVM, Xen | VirtualBox, VMware Workstation |
| Uso típico | Datacenter, servidores de produção | Testes e estudo no computador pessoal |
| Desempenho | Maior | Menor (passa pelo sistema hospedeiro) |
| Máquina virtual | Container | |
|---|---|---|
| O que isola | Um computador inteiro, com sistema operacional próprio | Os processos da aplicação, compartilhando o kernel do hospedeiro |
| Tamanho e partida | Gigabytes; minutos | Megabytes; segundos |
| Isolamento | Mais forte | Mais leve |
| Quem gerencia | Hipervisor | Motor de containers (como Docker) e orquestrador (como Kubernetes) |
Os containers têm lição própria em DevOps (imagens, Dockerfile e Kubernetes).
Como a FCC cobra
Estrutura do AD (floresta, árvore, domínio, OU), GPO e a ordem de aplicação, Kerberos, portas e DN do LDAP, e hipervisor tipo 1 × tipo 2.
- OU × grupo (organizar e aplicar GPO × dar permissões).
- Funções FSMO e catálogo global.
- Operações do LDAP (bind, search, add, modify, delete) e atributos (cn, ou, dc, uid, mail).
- Snapshot, migração ao vivo, alta disponibilidade.
- VM × container.
Pegadinhas
- “GPO se aplica a grupos de segurança diretamente, como se aplica a OUs.” Falso: a GPO é vinculada a site, domínio ou OU; grupos só servem para filtrar a quem ela se aplica.
- “O LDAP é um banco de dados da Microsoft.” Falso: é um protocolo aberto de acesso a diretórios; o AD é uma das implementações que o falam.
- “O snapshot de uma VM substitui o backup.” Falso: fica no mesmo armazenamento e depende do disco original; serve como ponto de retorno de curto prazo.
- “O VirtualBox é um hipervisor tipo 1.” Falso: roda sobre um sistema operacional; é tipo 2.
- “No AD, só um controlador de domínio aceita alterações; os demais são cópias de leitura.” Falso: a replicação é multimestre (os controladores somente leitura, RODC, são exceção); só as funções FSMO são exclusivas.
Explique com suas palavras
Explique a um gestor o que acontece no Active Directory quando uma servidora entra na equipe de TI, e por que as permissões vão para o grupo, e não para a pessoa.
- Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
- Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
- Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.
Fica salva neste navegador.
Comparar com uma explicação-modelo
O Active Directory é a lista oficial de quem trabalha no órgão e do que cada um pode fazer na rede. Quando a Ana entra na TI, criamos a conta dela na pasta da TI, e as regras dessa pasta passam a valer para ela, como o bloqueio automático da tela. Depois, colocamos a Ana no grupo de suporte, que já tem acesso às pastas e aos sistemas da equipe.
Dar as permissões ao grupo, e não à pessoa, facilita a vida e reduz erros. Se a Ana mudar de setor, basta tirá-la de um grupo e pôr em outro: os acessos antigos saem todos de uma vez, sem esquecer nenhum. E qualquer nova pessoa da equipe recebe exatamente os mesmos acessos.
Teste-se
SO, Redes e Nuvem · AD, LDAP e virtualização · Inédita, estilo FCC
Questão 1 de 3
No Active Directory, uma mesma configuração foi definida de forma conflitante numa GPO vinculada ao domínio e noutra vinculada à unidade organizacional (OU) em que está a conta do usuário. Sem imposição nem bloqueio de herança, prevalece a configuração da GPO
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
SO, Redes e Nuvem · AD, LDAP e virtualização · Inédita, estilo FCC
Questão 2 de 3
No nome distinto (DN) LDAP CN=Ana Souza,OU=TI,DC=tribunal,DC=local, o componente OU=TI indica
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
SO, Redes e Nuvem · AD, LDAP e virtualização · Inédita, estilo FCC
Questão 3 de 3
Num domínio do Active Directory, o protocolo de autenticação usado por padrão pelos controladores de domínio, baseado em tíquetes, é o
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Mais duas questões deste tópico estão em Questões.
Flashcards gerados
| Frente | Verso |
|---|---|
| Floresta, árvore e domínio no AD | O domínio é a unidade de administração; a árvore reúne domínios com o mesmo espaço de nomes; a floresta reúne árvores e é o limite de segurança maior. |
| OU × grupo no AD | A OU organiza objetos, delega administração e recebe GPOs; o grupo reúne contas para dar permissões ou enviar e-mails. |
| Portas do LDAP | 389 para LDAP, 636 para LDAPS (com TLS); 3268 e 3269 para o catálogo global do AD. |
| Funções FSMO | Mestre de esquema e de nomeação de domínio (uma por floresta); mestre RID, emulador de PDC e mestre de infraestrutura (uma por domínio). |
| Snapshot é backup? | Não. Fica no mesmo armazenamento e depende do disco original; é um ponto de retorno de curto prazo, por exemplo antes de uma atualização. |
Ligação com o estudo de caso
Num caso sobre gestão de identidades ou de servidores, proponha: contas centralizadas no AD, com permissões por grupo (e não por pessoa), GPOs por OU para padronizar as estações, LDAPS (porta 636, com TLS) para os sistemas que consultam o diretório e revisão periódica dos grupos. Para a infraestrutura, VMs num cluster de hipervisores tipo 1 com alta disponibilidade, snapshots antes de mudanças e backup de verdade fora do cluster.
Fontes da lição
- Edital nº 01/2026, Anexo II, Sistemas Operacionais, Redes e Computação em Nuvem (fontes/edital-01-2026.txt).
- Documentação da Microsoft: Active Directory Domain Services (domínios, OUs, GPO, FSMO e Kerberos).
- Especificação do LDAPv3 (RFC 4511) [CONFERIR: o texto da RFC ainda não está em fontes/].
- Documentação do VMware vSphere e do Hyper-V (hipervisores, snapshots e migração ao vivo).
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