Princípios, gestão de riscos e de incidentes, classificação da informação
Do zero
Segurança da informação é proteger três coisas sobre um dado: só quem pode vê, ninguém altera sem querer ou de má-fé e ele está lá quando se precisa. São a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade, o famoso trio CID. A elas se somam a autenticidade (o dado vem mesmo de quem diz) e o não repúdio (quem fez não consegue negar).
Pense na sua casa. A vulnerabilidade é a janela sem trava. A ameaça é o ladrão que passa na rua. O risco é a chance de o ladrão usar a janela, combinada com o estrago que ele faria. Você pode trancar a janela (reduzir), contratar um seguro (transferir), mudar de casa (evitar) ou decidir que não vale a pena e conviver com isso (aceitar). Isso é gestão de riscos.
Quando o ladrão entra mesmo, começa a gestão de incidentes: perceber, conter o estrago, limpar, voltar ao normal e aprender. E classificar a informação é decidir, antes de tudo, o que guardar na gaveta trancada e o que pode ficar na mesa da sala.
Frase para guardar: CID mais autenticidade e não repúdio; risco é ameaça explorando vulnerabilidade, medido por probabilidade e impacto.
Em 1 minuto
- Confidencialidade: acesso só a quem é autorizado. Integridade: sem alteração indevida. Disponibilidade: acessível quando necessário. Autenticidade: origem verdadeira. Não repúdio (irretratabilidade): o autor não pode negar.
- Ativo é o que tem valor; vulnerabilidade é a fraqueza; ameaça é a causa potencial de dano; risco combina probabilidade e impacto; incidente é o evento que de fato afetou a segurança.
- Tratamento do risco: reduzir (mitigar), transferir (compartilhar), evitar ou aceitar (reter). O que sobra é o risco residual.
- Incidente, ciclo clássico: preparação; detecção e análise; contenção, erradicação e recuperação; lições aprendidas.
- Classificação: o dono (proprietário) da informação define o nível; o custodiante guarda e aplica os controles.
Exemplo concreto: controles por princípio
Um estudo de caso de TI da FCC (TRT-15, 2023) pediu duas técnicas, de categorias diferentes, para cada princípio. Um quadro que responde a isso:
| Princípio | Ameaça típica | Controle técnico (lógico) | Controle físico ou administrativo |
|---|---|---|---|
| Confidencialidade | Vazamento de dados pessoais | Criptografia em trânsito e em repouso; controle de acesso por perfil | Termo de confidencialidade; sala de servidores trancada |
| Integridade | Alteração de valores numa folha | Hash e assinatura digital; trilha de auditoria | Segregação de funções (quem lança não aprova) |
| Disponibilidade | Ataque de negação de serviço; falha de disco | Redundância (RAID, cluster), backup | Nobreak e gerador; plano de continuidade |
| Autenticidade | Alguém se passa por outro | Autenticação multifator; certificado digital | Conferência presencial de identidade no cadastro |
| Não repúdio | Servidor nega ter enviado um ofício | Assinatura digital com certificado ICP-Brasil | Protocolo de envio com registro de data e hora |
Comparação: ameaça, vulnerabilidade e risco
| Termo | O que é | No exemplo do servidor web do TCE-GO |
|---|---|---|
| Ativo | O que tem valor | O portal de serviços |
| Vulnerabilidade | Fraqueza que pode ser explorada | Sistema operacional sem atualização |
| Ameaça | Causa potencial de um incidente | Grupo criminoso que explora essa falha |
| Risco | Probabilidade × impacto | Alta chance de invasão, com vazamento e portal fora do ar |
| Controle | Medida que reduz o risco | Gestão de patches e firewall de aplicação |
| Incidente | Evento que afetou a segurança | A invasão de fato aconteceu |
| Tratamento | O que significa | Exemplo |
|---|---|---|
| Reduzir (mitigar) | Aplicar controles | Atualizar o sistema e ativar MFA |
| Transferir (compartilhar) | Passar parte do impacto a terceiros | Contratar seguro cibernético ou serviço gerenciado |
| Evitar | Eliminar a atividade que gera o risco | Desligar um serviço antigo que ninguém usa |
| Aceitar (reter) | Conviver com o risco, conscientemente | Risco baixo cujo controle custaria mais que o dano |
Gestão de vulnerabilidades é o ciclo contínuo de inventariar os ativos, varrer em busca de falhas, priorizar (por exemplo, pela nota CVSS e pela exposição do ativo), corrigir e verificar a correção.
Gestão de incidentes
O ciclo clássico de resposta a incidentes, da publicação NIST SP 800-61 (revisão 2), tem quatro fases:
- Preparação: equipe de resposta (CSIRT ou ETIR), contatos, ferramentas e procedimentos prontos.
- Detecção e análise: perceber o evento (alertas, logs, relato de usuário), confirmar que é incidente e avaliar a gravidade.
- Contenção, erradicação e recuperação: isolar a máquina afetada da rede, remover a causa (malware, conta comprometida) e restaurar o serviço a partir de backup confiável.
- Atividade pós-incidente: lições aprendidas e melhoria dos controles.
A revisão 3 da SP 800-61, de 2025, passou a organizar a resposta pelas funções do NIST Cybersecurity Framework 2.0 [CONFERIR: o texto da SP 800-61r3 ainda não está em fontes/]. Na prova, o ciclo de quatro fases continua sendo o mais cobrado.
Classificação da informação
Classificar é atribuir à informação um nível de proteção conforme o dano que a sua divulgação causaria. A organização define os níveis (por exemplo: pública, interna, restrita e confidencial) e o que cada um exige: quem acessa, como se guarda, como se descarta.
- O proprietário da informação (a área dona do processo) classifica e revisa a classificação.
- O custodiante (geralmente a TI) aplica os controles definidos para cada nível.
- A informação recebe um rótulo visível, para que todos saibam como tratá-la.
No setor público, a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) classifica informações sigilosas como ultrassecreta, secreta e reservada, com prazos máximos de restrição de 25, 15 e 5 anos [CONFERIR: art. 24 da Lei nº 12.527/2011; o texto ainda não está em fontes/].
Como a FCC cobra
Um cenário e a pergunta “qual princípio foi violado?”: site fora do ar é disponibilidade; dado alterado é integridade; dado exposto é confidencialidade; autor que nega é não repúdio.
- Diferença entre ameaça, vulnerabilidade, risco e incidente.
- Opções de tratamento do risco (seguro é transferir; desligar o serviço é evitar).
- Fase do ciclo de resposta a que pertence uma ação (isolar a máquina é contenção).
- Papéis na classificação (proprietário × custodiante).
Pegadinhas
- “Vulnerabilidade e ameaça são sinônimos.” Falso: a vulnerabilidade é a fraqueza do ativo; a ameaça é a causa potencial (interna ou externa, intencional ou acidental) que pode explorá-la.
- “Contratar seguro elimina o risco.” Falso: transfere parte do impacto; o risco continua existindo.
- “Aceitar o risco é ignorá-lo.” Falso: é uma decisão consciente, registrada e aprovada por quem tem autoridade.
- “Restaurar o backup é a primeira ação diante de um ransomware.” Falso: antes vem a contenção (isolar), senão o backup também pode ser cifrado.
- “Quem classifica a informação é a TI.” Falso: é o proprietário da informação; a TI é custodiante.
Explique com suas palavras
Explique a um colega a diferença entre vulnerabilidade, ameaça e risco usando um exemplo do seu dia a dia, e diga as quatro formas de tratar um risco.
- Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
- Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
- Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.
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Comparar com uma explicação-modelo
Vulnerabilidade é uma fraqueza: o celular sem senha de bloqueio. Ameaça é quem ou o que pode se aproveitar disso: alguém que pega o celular esquecido na mesa. Risco é a combinação da chance de isso acontecer com o tamanho do estrago: alta chance num lugar cheio de gente, e estrago grande se o celular tiver o aplicativo do banco.
Dá para tratar o risco de quatro jeitos: reduzir (colocar senha e biometria), transferir (fazer seguro do aparelho), evitar (não instalar o aplicativo do banco) ou aceitar (conviver com o risco, se ele for pequeno e a proteção custar mais do que vale).
Teste-se
Segurança da Informação · Princípios e riscos · Inédita, estilo FCC
Questão 1 de 3
Um servidor alega não ter enviado um ofício eletrônico que contém o seu nome como remetente. Para impedir esse tipo de negação, o Tribunal adotou a assinatura digital com certificado ICP-Brasil nos ofícios. O princípio da segurança da informação diretamente protegido por essa medida é o da
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Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Segurança da Informação · Princípios e riscos · Inédita, estilo FCC
Questão 2 de 3
O portal de serviços do Tribunal roda em um sistema operacional sem atualizações de segurança há meses (I). Um grupo criminoso conhecido por explorar essa falha tem atacado órgãos públicos (II). Nos termos da gestão de riscos, I e II correspondem, respectivamente, a
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Segurança da Informação · Princípios e riscos · Inédita, estilo FCC
Questão 3 de 3
Ao avaliar o risco de indisponibilidade do seu datacenter, o Tribunal decidiu contratar um seguro que cubra os prejuízos de uma eventual paralisação. Essa decisão corresponde à opção de tratamento de risco denominada
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Mais duas questões deste tópico estão em Questões.
Flashcards gerados
| Frente | Verso |
|---|---|
| Qual princípio cai quando o site sai do ar? | Disponibilidade. Dado exposto é confidencialidade; dado alterado é integridade. |
| Como se mede o risco? | Pela combinação da probabilidade de a ameaça explorar a vulnerabilidade com o impacto que isso causaria. |
| Risco residual | O risco que sobra depois de aplicado o tratamento; precisa ser conhecido e aceito formalmente. |
| Ransomware, o que fazer primeiro? | Conter, isolando a máquina da rede. Só depois erradicar e recuperar do backup. |
| Dois controles para a integridade, de categorias diferentes | Um técnico, como hash ou assinatura digital, e um administrativo, como a segregação de funções. Exemplo: Quem lança o pagamento não é quem aprova. |
Ligação com o estudo de caso
É o tema de um estudo de caso real da FCC: “cite duas técnicas, de categorias diferentes, para cada princípio”. Treine o quadro de controles por princípio até escrevê-lo de memória. Num caso de ransomware, organize a resposta pelas fases do incidente: conter (isolar), erradicar, recuperar do backup e registrar as lições.
Fontes da lição
- Edital nº 01/2026, Anexo II, Segurança da Informação (fontes/edital-01-2026.txt).
- Guia do site, seção “O estudo de caso” (docs/guia.md): o estudo de caso do TRT-15 sobre técnicas por princípio.
- NIST SP 800-61 Rev. 2, Computer Security Incident Handling Guide (ciclo de resposta a incidentes).
- Lei nº 12.527/2011, Lei de Acesso à Informação [CONFERIR: texto ainda não está em fontes/].
Claude explica
Tire dúvidas sobre este tema no Claude: o site copia o pedido com a lição e abre uma conversa nova, na sua conta. Confira na fonte qualquer fato de lei ou de norma.
Pratique fora do site
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