Riscos do código gerado por IA, alucinações, segurança e ética
Do zero
Código gerado por IA é como o rascunho de um estagiário muito rápido e muito confiante: em segundos aparece algo que parece pronto, bem formatado e convincente. Às vezes está ótimo. Às vezes chama uma função que não existe, usa uma biblioteca inventada, esquece de validar uma entrada ou copia um padrão inseguro. E ele não avisa quando não sabe.
Por isso a regra de ouro é: quem aprova o código responde por ele, venha de onde vier. O código da IA passa pelos mesmos portões que o de qualquer pessoa (testes, revisão, análise de segurança), e alguns riscos são novos:
- Alucinação: inventar APIs, parâmetros, pacotes ou fatos com aparência de verdade.
- Segurança: código vulnerável, segredos expostos, e agentes com permissões demais, que podem ser manipulados por injeção de prompt.
- Privacidade: enviar dados pessoais ou sigilosos a um serviço externo.
- Propriedade intelectual: trechos muito parecidos com código de licença restritiva.
- Ética: transparência sobre o uso de IA, responsabilidade humana e cuidado com vieses.
Frase para guardar: código de IA é rascunho até passar por teste, revisão e análise; a responsabilidade é de quem aprova.
Em 1 minuto
- Validar sempre: testes automatizados, compilação e verificação de tipos, linters, análise estática de segurança (SAST) e de dependências (SCA), e revisão humana no pull request.
- Alucinação de pacote: o modelo sugere uma biblioteca que não existe; um atacante pode publicá-la com esse nome e código malicioso. Confira se o pacote existe, é mantido e confiável.
- Segredos e dados: não colocar senhas, tokens nem dados pessoais em prompts ou em ferramentas não autorizadas; usar dados fictícios ou anonimizados.
- Agentes: menor privilégio, aprovação humana para ações de risco e conteúdo externo tratado como dado, nunca como ordem.
- Governança: seguir a política institucional de uso de IA (no TCE-GO, a Resolução Administrativa nº 24/2024 trata do uso de ferramentas de IA).
Exemplo concreto: o pull request gerado por IA
Um agente entregou uma função que importa a planilha de folha enviada pelas prefeituras. Na revisão, a equipe encontrou:
| Problema | Tipo de risco | Como foi pego | Correção |
|---|---|---|---|
Importa o pacote planilha-gov-parser, que não existe no repositório oficial |
Alucinação de pacote | Instalação falhou; busca no registro de pacotes | Usar uma biblioteca conhecida e mantida |
| Monta o SQL concatenando o CPF digitado | Segurança (injeção, OWASP A05) | Análise estática (SAST) e revisão | Consulta parametrizada |
| Grava o CPF completo nos logs | Privacidade (LGPD) | Revisão humana | Mascarar ou não registrar |
| Testes gerados só cobrem o caso feliz | Qualidade | Revisão da cobertura | Testes de erro e de valor-limite |
| Trecho idêntico a uma biblioteca de licença restritiva | Propriedade intelectual | Ferramenta de detecção de código similar | Reescrever ou usar a biblioteca respeitando a licença |
Nenhum desses problemas seria descoberto se a equipe aceitasse o código “porque a IA fez”.
Comparação: risco, sinal e controle
| Risco | Sinal | Controle |
|---|---|---|
| Alucinação de API ou pacote | Função, parâmetro ou pacote desconhecido | Compilar, testar, conferir na documentação oficial |
| Vulnerabilidade | Entrada sem validação, consulta concatenada, criptografia fraca | SAST, SCA, revisão de segurança, OWASP como checklist |
| Vazamento de segredo ou dado pessoal | Credenciais no código ou no prompt | Varredura de segredos, cofre de segredos, dados fictícios |
| Injeção de prompt em agentes | Instruções escondidas em arquivos, páginas ou tickets | Tratar conteúdo externo como dado, limitar ferramentas, aprovação humana |
| Propriedade intelectual | Trechos longos idênticos a projetos conhecidos | Detecção de similaridade, política de licenças |
| Excesso de confiança | Aprovação sem leitura | Revisão obrigatória e responsabilização de quem aprova |
Ética no desenvolvimento com IA
- Transparência: declarar quando um entregável usou IA, como pede a política institucional.
- Responsabilidade humana: uma pessoa responde pela decisão e pela entrega; “o modelo sugeriu” não é justificativa.
- Vieses: quando o código decide sobre pessoas ou entes (quem fiscalizar primeiro, quem recebe alerta), os critérios precisam ser explicáveis, testados e revisados.
Exemplo: um script gerado por IA que prioriza fiscalizações de municípios precisa de critérios documentados e revisados pela equipe de auditoria, não só da ordem que o modelo propôs.
Qualidade: como medir o código gerado
- Correção funcional: os testes passam? Cobrem erros e limites, não só o caso feliz?
- Segurança: a análise estática e a de dependências estão limpas?
- Manutenibilidade: o código é legível, segue o padrão do projeto, sem duplicação?
- Aderência ao pedido: resolve o problema certo, sem mudanças fora do escopo?
Uma boa prática é pedir à IA que escreva os testes antes e conferir se eles capturam o requisito; testes gerados junto com o código tendem a confirmar o que o próprio código faz, inclusive os erros.
Como a FCC cobra
Alucinação (o que é e como mitigar) e a necessidade de validação humana e automatizada do código gerado. Em seguida, segurança e privacidade no uso de ferramentas de IA.
- Reconhecer alucinação num cenário (API, pacote ou fato inventado).
- Controles de qualidade e segurança para código gerado.
- Riscos de privacidade (dados pessoais em prompts) e de propriedade intelectual.
- Responsabilidade humana e governança do uso de IA.
Pegadinhas
- “Código gerado por IA dispensa revisão quando compila.” Falso: compilar não prova correção nem segurança.
- “Alucinação só acontece em textos, não em código.” Falso: o modelo inventa funções, parâmetros e pacotes.
- “Se a IA gerou os testes, a cobertura está garantida.” Falso: testes gerados junto com o código podem confirmar os próprios erros.
- “A responsabilidade pelo código é do fornecedor do modelo.” Falso: é de quem aprova e integra a mudança.
- “Dados de produção podem ser colados no prompt se a ferramenta for famosa.” Falso: depende de autorização, contrato, base legal (LGPD [CONFERIR]) e política institucional.
Explique com suas palavras
Explique a um gestor por que um código gerado por IA, que compila e parece correto, ainda precisa de testes e revisão, citando dois riscos concretos.
- Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
- Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
- Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.
Fica salva neste navegador.
Comparar com uma explicação-modelo
Compilar só mostra que o código está escrito numa forma que o computador aceita. Não mostra que ele faz a coisa certa nem que é seguro. A IA escreve com confiança mesmo quando inventa: pode usar uma biblioteca que não existe, e um atacante pode ter publicado uma falsa com aquele nome. Também pode montar uma consulta ao banco de um jeito que permite injeção de comandos.
Por isso o código passa pelos mesmos portões de sempre: testes automatizados que verificam o comportamento, ferramentas que procuram falhas de segurança e uma pessoa que lê e aprova. Quem aprova responde pelo código, venha ele da IA ou de alguém da equipe.
Teste-se
Eng. de Software com IA e agentes · Riscos do código com IA · Inédita, estilo FCC
Questão 1 de 3
Ao gerar o código de importação de planilhas, um assistente de IA chamou a função ler_planilha_tce() de uma biblioteca, mas essa função não existe em nenhuma versão da biblioteca. Esse fenômeno é conhecido como
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Eng. de Software com IA e agentes · Riscos do código com IA · Inédita, estilo FCC
Questão 2 de 3
Um assistente de IA sugeriu instalar um pacote cujo nome não existia no repositório oficial. Semanas depois, um terceiro publicou um pacote com exatamente esse nome, contendo código malicioso. Para mitigar esse risco, a equipe deve
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Eng. de Software com IA e agentes · Riscos do código com IA · Inédita, estilo FCC
Questão 3 de 3
Um servidor quer pedir a uma ferramenta de IA externa, não contratada pelo Tribunal, que corrija um script que processa a folha de pagamento, e pretende colar no prompt um trecho real da planilha com nomes e CPFs. A conduta mais adequada é
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Mais duas questões deste tópico estão em Questões.
Flashcards gerados
| Frente | Verso |
|---|---|
| Controles para código gerado por IA no pipeline | Revisão humana no pull request, testes como portão, SAST, análise de dependências, varredura de segredos e deploy bloqueado se algo falhar. |
| Injeção de prompt em agentes de codificação | Instruções maliciosas escondidas em arquivos, páginas ou tickets que o agente lê. Trate esse conteúdo como dado e limite as ferramentas. |
| Risco de propriedade intelectual no código gerado | Trechos idênticos a código de licença restritiva. Use detecção de similaridade e uma política de licenças. |
| Compilar prova que o código gerado está certo? | Não. Prova só que a sintaxe é aceita; correção e segurança exigem testes, análise e revisão. |
| Qual norma do TCE-GO trata do uso de IA? | A Resolução Administrativa nº 24/2024, citada no edital, sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial. |
Ligação com o estudo de caso
O espelho-modelo do guia pede “controles no pipeline de CI/CD para o código produzido pelo agente de IA”. Responda com: revisão humana obrigatória no pull request; testes automatizados como portão; SAST, análise de dependências e varredura de segredos; verificação de que os pacotes existem e são confiáveis; deploy bloqueado se algo falhar; e conformidade com a política de uso de IA do Tribunal.
Fontes da lição
- Edital nº 01/2026, Anexo II, Engenharia de Software Assistida por IA e Sistemas Agentivos (fontes/edital-01-2026.txt).
- Edital nº 02/2026 (retificação), que inclui a Resolução Administrativa nº 24/2024 sobre o uso de ferramentas de IA (fontes/edital-02-2026-retificacao.txt).
- OWASP Top 10:2025, A03 e A05 (fontes/owasp-top10-2025/owasp-top10-2025-pt-BR.md).
- Guia do site, questão-modelo do estudo de caso (docs/guia.md).
Claude explica
Tire dúvidas sobre este tema no Claude: o site copia o pedido com a lição e abre uma conversa nova, na sua conta. Confira na fonte qualquer fato de lei ou de norma.
Pratique fora do site
Faça questões da FCC sobre este tópico no QConcursos ou no Gran e registre aqui quantas fez: elas contam na meta da semana e no status do tópico.